A IDÉIA DE CULTURA CABOVERDIANA: IDENTIDADE, IMIGRAÇÃO E OS SIGNIFICADOS DA ETNICIDADE

Artur Monteiro Bento Ao longo da história de Cabo Verde, as elites interrogam continuamente a sociedade nacional, construindo e reconstruindo problemas históricos, culturais e políticos sobre a caboverdianidade. Em 1936, surgem alguns intelectuais denominados claridosos que buscam equiparar o mestiço ao europeu, e que prosperou até a geração de 50, quando intelectuais considerados nativistas procuram priorizar contribuições de origem africana. Nesse artigo, analisamos o papel exercido pela cultura caboverdiana que combina os princípios de “morabeza”, “cordialidade” “hibridez” e “crioulo” com a diferenciação étnica.

A ORIGEM DO HOMEM CABOVERDIANO

Cabo Verde fica localizado na desembocadura dos continentes Africano, Europeu e Americano. Em pleno Oceano Atlântico, o arquipélago fica em frente do cabo homônimo na costa Ocidental da África, dele distanciando cerca de 500 km2. Ainda no rasto das possibilidades, o país faz parte da Macaronésia, região biogeográfica que engloba um grupo heterogêneo de ilhas no norte do Oceano Atlântico, a saber: Açores, Madeira, Canárias e Selvagens. Descoberta em 1400, por navegadores a serviço de Portugal, sob o patrocínio do Infante dom Henrique, a colonização teve início, em 1462, com europeus provenientes em sua maioria de Portugal e, posteriormente, mão-de-obra de escravos africanos. Nessa direção, Artur Bento (2005) explica que, inicialmente, não havia caboverdiano em si, mas uma miríade de caboverdianos que foram tomando forma, à medida que europeus e africanos foram abandonando as diferenças étnicas, em prol de uma identidade mestiça, que se deu através do entrecruzamento de fatores e tendências. Para ele, os escravos apesar de pertencerem a tribos distintas, não colocaram suas culturas em oposição, já que a maioria convivia com crenças diferentes das suas próprias, além de chegarem misturados e dominados nos navios negreiros. Todavia, o português não pôde transmitir a sua cultura na integridade, ainda que os missionários encarregados pela evangelização não relatem a resistência de crenças que dificultasse a catequização. Por outro, as péssimas condições geográficas e climáticas, tudo isso – atrelado ao isolamento dos grupos de origem, à decadência da economia – acelerou o processo de intercruzamento dos diversos grupos em contato, ainda que a cultura européia tenha prevalecido na constituição da memória e identidade caboverdiana. Isso justifica, em parte, o estreitamento de vínculos com a Europa, e, em conseqüência, o enfraquecimento de laços com a África, sem que isso signifique a negação de contribuições de origem africana.

Vale a pena observar que ao longo do período colonial (1460-1975), as elites reforçam a autoridade central sobre a identidade da colônia, território inerente a Portugal por direito de descoberta e povoamento, garantindo, assim, a legitimidade e o domínio das ilhas. Nesse contexto, “se constrói a afirmação do princípio da identidade portuguesa, em oposição a outras formas de identidades, provenientes tanto da África como de outras partes da Europa” (Bento, 2009: 157). Simultaneamente, as instituições passaram a controlar as identidades que não se enquadravam nos parâmetros portugueses, controlando sistematicamente as memórias individuais e coletivas dos grupos, dando origem a uma identidade singular. Nessa linha de pensamento, Bento aponta que “tal controle fragmentou não só as raízes africanas, como também, as raízes de europeus não portugueses. Uma vez rompidas às barreiras étnicas e raciais, a elite passou a exercer melhor controle sobre o princípio da identidade portuguesa que, paulatinamente, foi construindo uma identidade singular, modulada por valores europeus” (Bento, 2009: 157-158).

A rigor, trata-se de um momento especial da história caboverdiana, à medida que os grupos foram se harmonizando em prol da unidade, da coerência e da continuidade da nação, contrária à busca de raízes étnicas e/ou raciais, tendo resultado no amplo reconhecimento da cultura caboverdiana. Esse momento da história caboverdiana forjou nos caboverdianos estratégias de memória, necessárias à construção de uma identidade coletiva, independentemente da tonalidade da pele dos sujeitos, o que entrava a busca de raízes imemoriais, ou melhor, o retorno as origens, que tende a fragmentar a sociedade em grupos étnicos e até suscitar movimentos separatistas. Sobre vários aspectos, a reconstrução das identidades dos grupos que se entrecruzaram em Cabo Verde primordial, à intensa assimilação da cultura portuguesa, fez desabrochar expressões novas de culturas mestiças, tendo “o negro e o mulato se apropriado de elementos da civilização européia e senti-los como seus próprios, interiorizando-os e despojando-se das suas particularidades contingentes ou meramente específicos do europeu”. Porém, os elementos transportados pelos afro-negros foram também assimilados pelo europeu, tornando-se “irremediavelmente comuns aos dois grupos”. (Mariano, 1991: 34).

SIGNIFICADOS DA ETNICIDADE NA CULTURA CABOVERDIANA

A identidade caboverdiana é produto de reelaborações das diversas identidades em contato e, por isso, não há entre os caboverdianos a reivindicação de uma raiz étnica, mas sim, a afirmação de valores coletivos. Porém, o termo “étnico” pode ser equiparado à noção “caboverdianidade”, indicando que a mestiçagem extirpou as raízes étnicas, incluindo a todos numa identidade singular. Assim, a caboverdianidade pode se atrelar à identidade cultural compartilhada na “nova pátria”, à qual a geração de caboverdianos (pretos, brancos e mulatos) deve lealdade. A mestiçagem cessou os vínculos étnicos com as terras distantes, e forjou-se a categoria povo, no sentido de coletividade de cidadãos. Assim, desenvolveram-se as classes e os grupos sociais. Cabo Verde deixa de ser prisão de escravos e brancos degredados para se constituir a “nova pátria”, a qual as gerações de caboverdianos devem lealdade.

A caboverdianidade busca conciliar a diversidade de elementos etno-culturais aparentemente conflitantes numa única categoria – a cultura caboverdiana –. Nessa ótica, a “morabeza” assume a feição de cordialidade e amigo, saudando de braços abertos aqueles que escolhem o Cabo Verde como terra de acolhida. A morabeza se refere a lar e território que, conjugados, são a nova pátria. A morabeza começa pelo “homem cordial”, no sentido de fortemente dominado pelas emoções (amor, solidariedade, saudade, nostalgia) e desemboca nos valores que fundamentam a sociedade. Desse modo, a étnicidade pode se resumir a “caboverdianidade”, entendendo este termo como o “singular da identidade caboverdiana”. A imagem de caboverdiano como homem “honesto”, “trabalhador”, “solidário”, “cordial”, “crioulo”, claramente definida na memória histórica, apela também que os imigrantes se adaptem aos costumes da terra. Talvez sejam somente manifestações ocasionais e soltas, ou fantasias da imaginação, mas é possível reconhecer que têm raízes na sociedade, cultura, história e política.

Barth (1969) evidencia que as relações interétnicas se baseiam na interação social entre os grupos, afirmando que a identidade étnica é um processo identitário e não como algo imutável. Ela está em permanente negociação, e daí sua ênfase na fronteira intergrupal e na interação dos atores sociais através dela. No caso caboverdiano, a fronteira está presente na identidade cultural, construída numa versão sobre a mestiçagem, concernente com a identificação européia. Seyferth (2004) analisa que o compartilhamento de uma cultura é essencial na concepção de etnicidade, enfatizando que é na produção da diferença que se estrutura a fronteira simbólica do grupo. O conteúdo cultural – as “características diacríticas” que delimitam a identidade e as “orientações valorativas básicas” do grupo, nos termos de Barth (1969: 14) – é um aspecto importante a ser considerado, pois permite distinguir a etnicidade de outras categorias de pertencimento comunitário.

A identidade caboverdiana, assim como toda identidade, revela a tensão em jogo na configuração de uma identidade específica, unívoca, frente a outros grupos étnicos. Etnicidade é uma das “características socialmente relevantes dos seres humanos”, afirma Rex (1996: 282). Ela deve ser distinta da compreensão de raça, de classe, entre outros.

A etnidade se define pelas características culturais: língua, religião, costumes, tradição, sentimento de lugar, que são partilhados por uma comunidade. Ela ocorre no campo das diferenças culturais, na constituição de laços sociais entre os que partilham uma cultura. A comunidade étnica reflete o forte senso de identidade coletiva que existe entre esses grupos, considerando que possuem “fortes laços internos de união e fronteiras bem estabelecidas” (Hall, 2003: 69).

Esses grupos possuem elos de continuidade, muito embora não estejam engessados em uma tradição imutável, mas, em um processo de (re) construção social, que vincula seus membros aos lugares de referência.

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Comentários



20 Comentários

  1. Armindo Marques: 26 Setembro, 2010 - 14:03

    Achei interessante o artigo especialmente o topico que versa a assimilacao dos imigrantes.Contudo queria saber uma posicao mais clara do autor , se classifica Caboverde ou a identidade cabverdiana como sendo um caso de regionalismo identitario europeu ou africano.Tambem dizer que sobre o tema do artigo ha bibiliografias excelentes de autores caboverdianos da nova geracao : a diluicao de africa do sociologo e reitor da univesidade de santiago- Gabriel fernandes,e ensaios de jose luis hopffer Almada.Desculpas pela falta de acentos por causa do teclado ingles.

  2. Artur Monteiro Bento: 30 Setembro, 2010 - 17:52

    Prezado, Armindo Marques

    Brevemente responderei a sua questão em outro artigo, formulado a partir da sua questão se a “identidade caboverdiana pode ser um caso de regionalismo identitario europeu ou africano”.

    Saudações acadêmicas,
    Prof. Dr. Artur Monteiro Bento
    PPGAS, Museu Nacional, UFRJ

  3. Artur Monteiro Bento: 30 Setembro, 2010 - 17:54

    Prezado, Armindo Marques

    Brevemente responderei a sua questão em outro artigo, formulado a partir de suas indagações se considero a “identidade caboverdiana como sendo um caso de regionalismo identitario europeu ou africano”.

    Saudações acadêmicas,
    Prof. Dr. Artur Monteiro Bento
    PPGAS, Museu Nacional, UFRJ

  4. Costa Pinto: 30 Setembro, 2010 - 20:13

    Caro prof. Bento li o artigo e confesso que gostei pela clareza da explanação,sobre a analise que faz sobre a fronteira simbolica que marca a singularidade da cultura caboverdiana ante outro grupos étnicos no contexto migratório,queria que me trocasse isso por miodos e explicasse como caracterizaria a identidade caboverdiana no contexto da sua interação dinamica com a cultura dos comeriantes chineses,e dos imigrantes da costa ocidental africana, em Cabo verde.Se os imigrantes manisfestam tendenccias de assimilacao ou aculturação relativamente a sociedade nacional.Se os caboverdianos estão abertos a acolher os que culturalmente possuem padrões culturais diferente,Se existe uma politica pública virada para integração de imigrantes em Caboverde.
    Abraço

  5. Artur Monteiro Bento: 6 Outubro, 2010 - 18:33

    Caro Costa Pinto

    Nos próximos dias, responderei a sua questão em outro artigo, formulado a partir de seus esclarecimentos.

    Saudações acadêmicas,
    Prof. Dr. Artur Monteiro Bento
    PPGAS, Museu Nacional, UFRJ

  6. Fábio Marques: 6 Outubro, 2010 - 19:53

    Prof. Dr. Bento, adorei seu artigo pela lucidez do seu trabalho. De fato, precisamos entender do ponto de vista teórico a nossa identidade caboverdiana. Seu texto é original, daí sua relevância. É uma virada na literatura caboverdian.
    Um abraço

  7. Artur Monteiro Bento: 3 Novembro, 2010 - 18:35

    RESPOSTA AO LEITOR COSTA PINTO

    Prezado Sr., demorei em responder sua questão devido a redação do artigo já enviado para a página intitulado “A Identidade Caboverdiana: História, Espaço e Deslocamentos”. Espero ter contribuido para a construção do conhecimento científico caboverdiano.

    Sua questão é muito importante, e sintetiza esclarecimentos de outros leitores preocupados com a imigração em Cabo Verde.
    A condição de “imigrante” realça vivências subjetivas da “identidade nacional”, devido à ambigüidade da posição social do imigrante, ao mesmo tempo “dentro” e “fora” da sociedade de acolhimento. A relação do imigrante com a nova sociedade é marcada por padrões de avaliação, conferindo ao estranho, possibilidade de questioná-la. Inicialmente, tanto o imigrante quanto os nacionais tendem a ser percebidas de maneira tipificada, sem consideração de suas individualidades.
    Os modos de vida do imigrante colocam em xeque a dimensão da identidade nacional. Esta articulada a autoimagem coletiva e elementos de cultura com uma raça, ou então à mistura racial, como requer a narrativa caboverdiana. Embora coletiva, ela é vivida de maneira individual e a imagem do sujeito nacional ganha características específicas que o distinguem de outros países. Com relação, aos imigrantes africanos em Cabo Verde, a inserção passa pela integração cultural, à medida que a identidade caboverdiana não valoriza questões de origem étnica, incluindo a todos os caboverdianos na configuração mestiça. Na caboverdianidade, o “negro africano” é concebido como um terceiro distante, assim como o branco estrangeiro. Mas, à medida que o imigrante respeita os valores cultuados em Cabo Verde, o imigrante torna “amigo” e, posteriormente, se assimilar a cultura nacional passa a ser mais um caboverdiano.
    É claro que isso não ocorrerá facilmente na 1ª geração, à medida que os países que constituem a África possuem em suas fronteiras territoriais uma multiplicidade de grupos étnicos com enraizamentos religiosos, crenças, rituais e festas que os diferenciam uns dos outros, e, muitas vezes, desencadeadoras de intensos conflitos, que tendem a desestruturar a administração pública, enfraquecendo a coesão nacional. Na 2ª geração, os filhos, tendem a se distanciar da cultura de origem, sem que isso signifique uma integração total. Acreditamos que a carência de solidariedade entre os diversos grupos de origem africana pode contribuir favoravelmente para a integração social. Outro ponto a considerar é a especificidade da cultura híbrida caboverdiana, do espírito de acolhimento de caboverdianos, da solidariedade cristã, que faz de Cabo Verde um sistema relacional, conforme focalizado no artigo intitulado “Identidade caboverdiana: história, espaço e deslocamentos” (Cf. Artur Bento, 2010, in: PróAfrica), podendo agir como mecanismo desestruturante de identidades étnicas, podendo forçar a assimilação não só de africanos, mas também de chineses.
    Em Cabo Verde, nos parece que ainda não existe uma política de integração de imigrantes, à medida que não vivemos uma “política de imigração” com fins de povoamento. Os países de origem não exportam indivíduos para Cabo Verde. Trata-se de imigrantes isolados que procuram melhores condições de vida no arquipélago e sujeitos a todos os tipos de adversidades. Por se tratar de uma “imigração temporária” que pode vir a se tornar “permanente”, em que o imigrante decide criar raízes (casa, filhos, carro, trabalho, conta no banco, seguro etc), é normal que o imigrante cultua suas raízes étnicas, mas devendo respeitar a sociedade de acolhimento. Com o passar dos anos, a cultura isolada desses imigrantes começa a se mesclar com a cultura caboverdiana devido à flexibilidade da caboverdianidade. .
    O que suscita preocupação é quando o imigrante quer viver como se estivesse em sua terra de origem. Ora, o pensamento humano não admite que um estranho, pára o transito as 12h00min horas para “orar”, pois, na sociedade caboverdiana de origem cristã, isso é visto como desordem social, à medida que rompe com a harmonia dos grupos. Comportamentos religiosos, contrários a fé cristã, pode suscitar em pessoas mais arraigadas novos comportamentos como, por exemplo, agressividade etc., podendo conduzir a um processo de racismo e xenofobia contra determinados grupos. Tudo isso, visando a preservação dos valores cultuados pelos caboverdianos (branco, preto, mulato) que mantém a coesão nacional.
    Em Cabo Verde, até hoje, não assistimos, manifestações associadas à depredação de bens públicos. Diferentemente, de alguns países, em Cabo Verde os bens públicos são concebidos como patrimônio nacional. Atos contra os bens públicos, normalmente, são sujeitas a reprovação social. Por isso, recomendo aos autores que tenham cuidado com o uso de termos como “racismo e xenofobia”, sem uma rigorosa pesquisa de campo, onde os atores caboverdianos e imigrantes tenham a possibilidade de falar de suas experiências cotidianas.
    Estudos setoriais sobre caboverdianos pode trazer problemas para a nação caboverdiana. Os termos racismo e xenofobia colocam problemas práticos para o caboverdiano, podendo ser usado como estratégia de defesa de imigrantes, que tendem a impor novos padrões a Cabo Verde. De toda maneira, deve ficar claro que o sistema caboverdiano é relacional (nem preto, nem branco, nem mulato); todos somos caboverdianos, todos cultuamos os valores deixados pelos nossos ancestrais Africanos e Europeus, sem que isso signifique retorno a qualquer forma de raiz.
    A politização de estudos caboverdianos, sem levar em conta o pensamento antropológico do homem caboverdiano, conduz a uma linguagem coloquial, nem sempre atenta aos cânones literários e, por isso, considerados de baixa qualidade literária. Quando se trata de explicar o Cabo Verde, o pesquisador deve ser realmente inovador, no sentido de instituir novos parâmetros, desvendar novos nexos, perceber diferentes dinamismos nas formas de sociabilidades e nos jogos das forças sociais; compreender configurações históricas, formas de pensamentos e cultura, estilos de vida.
    A identidade parece ser fácil definir. A identidade é simplesmente aquilo que se é: “sou caboverdiano”, “sou estudante”, “sou professor”. A identidade assim concebida parece ser uma positividade (aquilo que sou), uma característica independente, um fato autônomo.
    Da mesma forma, a diferença é concebida como uma entidade independente. Apenas, neste caso, em oposição à identidade; a diferença é aquilo que o outro é: “ele é brasileiro”, “ele é homem”, “ele chinês”.
    Entretanto, que a identidade e diferença estão em uma relação de estreita dependência. A forma como expressamos a identidade tende a esconder essa relação. Quando digo “sou caboverdiano” só preciso fazer essa afirmação porque existem outros que “não são caboverdianos”.
    A afirmação “sou caboverdiano”, na verdade, é parte de uma extensa cadeia de “negações”, de expressões negativas de identidade, de diferenças. Por traz da afirmação “sou caboverdiano” deve-se ler: “não sou nigeriano”, “não sou brasileiro”; “não sou africano” quando isso se refere a uma identidade étnica.

    BIBLIOGRAFIA RECOMENDADA
    BENTO, Artur Monteiro. Didática para o ensino superior e em Cabo Verde os desafios contemporâneos de suas universidades. Rio de Janeiro: Artprint, 2010.
    BENTO, Artur Monteiro. Memória, espaço e identidade: a experiência de imigrantes caboverdianos no Rio de Janeiro (1950-1973). Rio de Janeiro: UNIRIO, 2009.
    BENTO, Artur Monteiro. Memória híbrida, identidade e diferença: uma visão múltipla da comunidade caboverdiana no Rio de Janeiro. Rio de Janeiro: Oficina de Livros, 2005.
    BHABHA, Homi. Nation and narration. Londres: Routlege, 1990.
    CORREA, Mariza. Sobre a invenção da mulata. Cadernos Pagu, (6-7), 1996.
    NOGUEIRA, Oracy. Preconceito racial de marca e preconceito racial de origem. In: tanto preto quanto branco. São Paulo: Queiroz, 1985: 67- 93.
    SILVA, Tomaz Tadeu da. (org.). Identidade e diferença: a perspectiva dos estudos culturais. Petrópolis: Vozes, 2000.

    OBS: Alguns livros de minha autoria encontra nas livrarias de São Vicente (Terra Nova, Pax, Dgibla, HGI) Santo Antão (Pax), Praia (Livraria Diocesana, Saber) e Fogo (Paz e Bem). A Didática … será lançada no final de dezembro, dia a combinar.

  8. Costa Pinto: 3 Novembro, 2010 - 23:44

    Muito obrigado meu caro professor Doutor BENTO.
    A sua explanação confesso foi excepcional porque muito esclarecedora e bem fundamentada.
    Em caboverde nos dias que correm,muito se tem falado e debatido sobre a necessidade de políticas viradas para a questão das migrações,sendo que alguns especalistas questionam se defacto existe política de migração em Caboverde.
    Julgo que os seus escritos se revelam de extrema importancia para Caboverde nesta conjuntura em que se pensa criar departamento do Estado especialmente vocacionado para dar resposta a esse fenomeno.
    Registrei o apelo que fez da não politização das questões de identidade em Cabo verde porque também sou de opinião de que a identidade enquanto fenómeno sociocultural se contrói,náo podendo ser estática,e oxalá que os imigrantes africanos aculturem cada vez mais a nossa cultura com vista a uma maior integração e para que possam também sentirem-se caboverdianos e ter melhores condições de vida.
    Aguardo ansiosamente o seu texto neste prestigiante espaço de reflexão e conhecimento.
    Bem haja PRÓ-ÁFRICA

  9. rosina marilia lopesdias: 17 Dezembro, 2010 - 17:31

    eu gostei muito da sua clareza, e da sua criatividade de falar da cultura de cabo verde. porque cada dia que passa a cultura de cabo verde esta a ficar mais pobre. devo felicita-lo pelo seu gesto nobre da sua parte em falar da nossa terra com todo esse entusiasmon e carinho.mais uma vez muitos parabens.tive o maior prazer em ler o seu artigo.

  10. rosina marilia lopesdias: 17 Dezembro, 2010 - 17:33

    eu gostei muito de ler este tema ,e´um tema muito brilhante

  11. Mara Lopes: 17 Dezembro, 2010 - 18:04

    Concordo com a Rosina,o artigo lê-se com facilidade e autor tem uma boa capacidade de exposição.Tb gostei o outro artigo dele.Esse espaço de reflexão é necessário e benvindo.

  12. fábio marques: 16 Fevereiro, 2011 - 19:23

    gostei do artigo desse doutor, uma esplanação clara, objetivo e esclarecedora. parabens, precisamos de revitalizar a nossa cultura

  13. Bruna Fidelis: 27 Maio, 2011 - 18:28

    Navegando na net deparei com este artigo muito bem redigido numa linguagem clara, objetiva e nobre. Parabens doutor, precisamos de novos intelectuais para falar da nossa terrinha. Mas, você considera a caboverdianidade uma identidade étnica? gostaria de ver sua opinião doutoral.

  14. Artur Monteiro Bento: 28 Maio, 2011 - 18:10

    Bruna!

    Quando se fala da “caboverdianidade” estamos nos referindo a construção da identidade nacional em Cabo Verde.

    Em momento algum penso a “caboverdianidade” como identidade étnica no País. Pois, uma identidade étnica implicaria dizer que existita outras identidades em Cabo Verde. Não se trata disso, pois, em Cabo Verde falamos da “caboverdianidade” como Identidade nacional. É claro, no exterior do País, a “caboverdianidade” assim como a “portugalidade”, a “angolanidade”, melhor, esses imigrantes assumem a categoria de identidade étnica. Assim como os imigrantes de origem africana moradores em Cabo Verde.

    Espero ter respondido sua questão. Mas, em breve encaminharei um texto para o Site que abordará em linhas gerais este questionamento.

    Ab.
    Dr. Artur Monteiro Bento

  15. Leão de Pina: 10 Julho, 2011 - 14:25

    Caro Bento,
    Li e achei interessante o seu artigo. Não sei se já teve algum contacto com os meus textos, mas, desde 2006, tenho feito algumas reflexões sobre a relação morabeza/cordialidade que estão publicadas em dissertação de Mestrado, artigos de revista, repositórios de congressos, etc. Facilmente pode encontrar algumas na net. Veja, por exemplo: Morabeza e Cultura Política de Matriz Ibérica” no n. 1 da revista de estudos cabo-verdianos(UniCV).Isto, apesar de a minha preocupação última não ser a identidade nacional mas sim a cultura política. Cptos.

  16. Artur Monteiro Bento: 19 Janeiro, 2012 - 14:24

    Prezado, gostaria de conhecer e poder dialogar com seus textos.

    Me envia referência completa, ou algum já publicado. É sempre bom trocar idéias e afinidades inelectuais.

    At.
    Prof. Dr. Artur Monteiro Bento

  17. Leão de Pina: 29 Novembro, 2012 - 19:57
  18. Ronilson Silva: 27 Dezembro, 2012 - 14:59

    Eu adorei a tua visão sobre cabo verde, e nisto deixe a minha opinião, de que continuas a exercer essa função de investigador dos conceitos e da historia de cabo verde, embora cabo verde tem uma zona geográfica pequena, mas tem um alma cultural e historial incalculável, creio eu difícil de um dia dizer que ja está tudo estudado sobre cabo verde.
    Fico aqui desde ja felicitando pelo seu enorme trabalho e dedicação pelos estudos que vem desenvolvendo e que ficas marcado na memoria dos conceitos de cabo verde.
    Ronilson Stiven, Chã das Furnas Cabo verde

  19. tania neto: 8 Janeiro, 2013 - 8:46

    O ARTIGO É OPTIMO E CONFESSO QUE AJUDOU-ME MUITO NA TESE VIVA A MORABEZA ADOREI SABER ISSO

  20. Artur Monteiro Bento: 2 Fevereiro, 2013 - 22:32

    Caros Ronilson Silva e Tania Neto, estudos caboverdianos estão em estado de escavação; são, assim, inesgotáveis. Temos uma cultura superficial daquilo que denominamos caboverdianidade, história, cultura, sociedade, criuolo, português, nação, estado etc… Tenho apostado numa 3a geração de intelectuais caboverdianos, que tenha a habilidade de conciliar os periodos coloniais e pós-coloniais até a década de 90. Em Cabo Verde se vive uma cultura política “quem é e quem não e´”, mas não se discute questões que dizem respeito a cultura vivida pelo povo em seu dia-a-dia. Que vocês saibam fazer uso dessas idéias que se abrem para o povo caboverdiano, hoje, mais do que nunca, perpassado pelas grandes transformações sociais, econômicas, culturais e políticas em um ambiente de globalização e sociedade do conhecimento.

Resposta




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