Memórias reconstruídas sobre Cabo-Verde
Actualidade, Cultura | | 16 Agosto, 2011 | 3 Comentários Partilhar
País insular africano, arquipélago de origem vulcânica constituído por 10 ilhas.É um país com um clima semi-árido e os seus principais meios económicos são agricultura e a riqueza marinha.Nos dias actuais o turismo tem se tornado uma importante fonte económica para o país. O que dificulta é a questão estrutural.
Bem… São 2H da manhã e estou a tentar escrever um pequeno texto sobre Cabo-Verde e as suas gentes.
Escrever este texto não está a ser tarefa fácil, pois será impossível ser um texto académico e isento na medida que trabalho com a Comunidade Caboverdeana em Portugal, particularmente os residentes no Bairro do Talude Militar, em Unhos, desde 1998.
Neste bairro residem 99% de Caboverdeanos e seus descendentes.
Essencialmente são pessoas provenientes do interior da Ilha de Santiago (Santa Catarina, Assomada, Tarrafal, Calheta, Orgãos, Achada do Monte, Achada Falcão entre outros territórios ).
Ao longo destes 13 anos, usei um método de trabalho etnográfico, na medida em que pretendi compreender o modo de vida ou os modelos específicos de comportamento dentro de um contexto social de uma cultura ou subcultura, pois a forma como o conhecimento cultural, normas, valores e outras variáveis são apreendidas influenciam a experiência de algo em uma pessoa.
Neste sentido, fui-me envolvendo na comunidade, participando em várias acções com jovens e adultos e neste envolvimento foram se criando laços e uma maior percepção das suas lógicas de pensamento e de organização.
Ainda assim, não tinham uma razão lógica para muitos aspectos que vivenciamos na Diáspora. Em Abril, fui a Cabo-Verde participar no Congresso de Quadros Caboverdeanos na Diáspora, na qualidade de coordenadora de um Projecto de Intervenção Social ” Programa Escolhas ” que é uma medida do Governo Português que visa a inclusão social de crianças e jovens provenientes de contextos socioeconómicos mais vulneráveis, particularmente dos descendentes de imigrantes e minorias étnicas, tendo em vista a igualdade de oportunidades e o reforço da coesão social.
O objectivo da minha participação foi de levar um pouco da realidade dos descendentes de Imigrantes Caboverdeanos bem como das dificuldades dos filhos de Caboverdeanos que chegam a Portugal por via do Reagrupamento Familiar. Por outro lado, também fui para aprender e conhecer melhor como é o ensino em Cabo-Verde, como é que os estudantes caboverdeanos vem para Portugal ao abrigo dos acordos de cooperação e como não podia deixar de ser fui para sentir a ” Morabeza ” que infelizmente em Portugal com a vida assolapada não nos permite saborear.
Ser caboverdeano/a em Cabo-Verde é diferente de ser caboverdeano/a em Portugal. Em Cabo-Verde a noção do tempo é diferente, as pessoas vivem cada minuto, as pessoas estão em contacto permantente com a Natureza (praia, campo e animais ) e fazem uma coisa de cada vez. O mesmo não é possível em Portugal.
Estar em Cabo-Verde permite-nos perceber e compreender a forma como os imigrantes se fixam nos territórios, a forma como ocupam as terras; Compreende-se o tipo de construção que usam e acima de tudo compreende-se a ligação que tem com a Terra e com os animais.
O que muitas vezes nos choca na Europa!
É fabuloso o que se sente e vive em Cabo-Verde.
Por outro lado, também senti tábuos, nomeadamente no seio académico em reconhecer que os estudantes caboverdeanos ( do nível básico até ao secundário ) tem muitas dificuldades no domínio da língua portuguesa e noutros casos o acesso às novas tecnologias não é possível em todos os territórios.
Em Cabo-Verde, apesar das limitações estruturais, existem grandes oportunidades que podem ser exploradas e as Associações de Imigrantes na Diáspora devem ser a força motriz para articular com o Ministério das Comunidades, traçando um plano de intervenção que inverta a tendência e potencialize o espirito empreendedor que há nos caboverdeanos, pois na sua maioria são Macguivers!
Diáriamente gerem o insuficiente e recriam!
A todos os caboverdeanos que conheci em Cabo-Verde, desde a Dª Isaura que vendia funguinhos na praia da Laginha em São Vicente até ás pessoas que me acolheram em S. Vicente e em Santiago ( Dª Berta e Srº Mário ), a todos os amigos que pude rever e a todos aqueles com quem trabalho diáriamente no Talude Militar um muito Obrigado por fazerem parte do meu processo de aprendizagem!
Cabo-Verde tem um misticismo e um simbolismo que merece um aprofundar do conhecimento, por meio da pesquisa de campo, dos sistemas simbólicos e da estruturação das relações entre os grupos humanos que dela fazem parte e que com elas se relacionam, seja em sua relação com o meio, seja em sua constituição cultural.
Cabo Verde é Sabi…
Carla Santos
Antropóloga
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Resposta




Muito bom. Falta muita coisa principalmente uma mentalidade mais aberta e um acelerar no processo de burocratismo. temos muito que desmistificar.principalmente os sectores da função publica. profissionalismo. E oportunidades para jovens que terminam a formação e ficam a espera de uma oportunidade de trabalho.
Muito bom! gostei do texto.Cabo-verde qdo se tem uma condição de vida razoavel vive-se muito bem porque o clima ajuda,a exiguidade territorial,as paisagens,o tempo que sobra,enfim muitas particularidades que a torna um lugar muito agradavel de viver e gozar de foma saudavel a vida.Estive em canarias(Fuerte ventura) e senti-me tb quase que em casa,dado a semelhanças no que se refere ao clima (aquele sol do norte de ÁFRICA),as montanhas,carneiros,o mar,o dia-dia calmo…Penso que uma das melhores riquezas que um ser humano pode ter é estar pelo menos de férias nestes sitios de descanso para saborearem a vida.
Adorei o que escreveste, apesar de ser um resumo daquilo que é nossa Terra e na diaspora, mas é um país que se pode chamar de novo e que esta em bom caminho, muitos outros países confiam nele, temos uma grande riqueza: o amor, o carinho, toda essa morabeza: o amor ao trabalho, a nós mesmos, somos confiantes, aconchegantes,algo muito positivo e isso nos dá uma capacidade grande para levarmos adinate esse nosso país, mas existe uma coisa que nos atraza um pouco, que nos faz retroceder : muitas vezes não damos valor a nossa verdadeira capacidade, porque temos tendencia de valorizar mais os que vem de fora, deixamos de dar valor a um caboverdiano capacitado e atribuimos esse valor a um que vem de fora ou seja a um cooperante, por isso digo que deviamos confiar mais na nossa capacidade porque temos pessoas capacitadas em Cabo Verde em diversos sectores. Vem um cooperante ou um extrangeiro é venerado e o caboverdiano nem tanto…!